num suspiro de pensar
na ressaca desse mar
que criamos
e no abandono em que
me encontro
na ausência que fere
lamento
tanto engano e
a dureza deste ano
que fez ensopar de sal
teu colo com meu pranto
Cresci à força no tempo em
que era hostil e eterna
Vive!
aprendi que estou aqui pra somar
o novo na vida
Vive!
antes que o sonho acabe.
10 dezembro, 2014
27 novembro, 2014
08 novembro, 2014
29 setembro, 2014
Desses relógios
derretidos
tal qual os de Dalí
me trazem a consciência
aguda da dor em mim
Imersa no presente
sem saber se é
dia o hoje
os ponteiros fazem as horas
ser um peso sobre mim
A mente rápida, inquieta,
Já não dorme na hora
que cansa
em prece
peço ao Deus
do tempo
peço ao Deus
do tempo
que atrase meus ponteiros
limpe minha mente
e assim, toda noite
me jogo fora pra dormir
28 agosto, 2014
Superstição
felicidade minha tem prazo:
dura enquanto
o olho treme,
E
dependendo
de qual lado
treme de alegria
ou tristeza.
Vou levar pro resto da vida
na cabeça
e nos dois olhos:
e nos dois olhos:
Deus queira
que mais
no esquerdo!
no esquerdo!
o que a mãe
me ensinou
um dia
e hoje em dia ~
diz que é besteira,
superstição
sem motivo
pra desespero.
superstição
sem motivo
pra desespero.
26 agosto, 2014
12 agosto, 2014
05 agosto, 2014
04 agosto, 2014
28 julho, 2014
De um lugar distante no sofá da sala, corta o resto da unha com uma tesoura que lhe deixa moldar melhor a capa do dedo. O cigarro morre aos poucos no cinzeiro. O incenso vai até a alma. Morde a pele do dedo amarelado cheirando acetona e sorri, pensando no começo do fim. Uma peça para imaginar os prantos. Maquiada, com os cílios alongados pelo rímel que usa mesmo quando está em casa, olheiras pálidas de pó de arroz e um sorriso bobo de só quem já foi é capaz de compreender, deita-se. Entre o céu e o chão do apartamento, encontra a si num mundo deslocado que a orbita. Cruza as mãos sobre o corpo, deixando aparecer as unhas pintadas por um vermelho que preserva a vida até o último suspiro, ou que depois descasca pelo uso.
Poderia forjar a própria morte só pra renascer de novo.
E de novo.
Poderia forjar a própria morte só pra renascer de novo.
E de novo.
25 julho, 2014
16 julho, 2014
11 julho, 2014
Não sou do tipo de mulher que acredita em coincidências do tipo que você olha pra uma pessoa e explode. "É amor." Acredito que as pessoas se amam quando entendem que o tempo é seu melhor companheiro. Quando um dia acordam ás 6 horas da manhã pra sair pra trabalhar numa sexta-feira rotineira e ainda assim, depois de toda falta de glamour de procurar meias limpas pela casa, se despedem sorrindo. Quando o presente é a coisa mais segura do mundo e o futuro é uma porta que tem permissão pra ficar fechada. Quando se sabe dos defeitos e luta a favor deles, entendendo que a diferença que há, é a igualdade no querer estar juntos. No entanto, eu acredito também que as pessoas tem maneiras diferentes de ver o mundo.
Eu, continuo não acreditando em coincidências.
Eu, continuo não acreditando em coincidências.
03 julho, 2014
23 junho, 2014
Minha casa, na hora de dormir:
verifica-se as janelas, as luzes apagadas,
a porta trancada, os aparelhos desligados
e o celular na cabeceira.
Casa dele, na hora de dormir:
Entra no balanço do mar, abre a janelinha no teto,
olha o céu sobre nossas cabeças,
me abraça e pergunta:
verifica-se as janelas, as luzes apagadas,
a porta trancada, os aparelhos desligados
e o celular na cabeceira.
Casa dele, na hora de dormir:
Entra no balanço do mar, abre a janelinha no teto,
olha o céu sobre nossas cabeças,
me abraça e pergunta:
"- Será que hoje vai ter estrela?"
11 junho, 2014
03 junho, 2014
27 maio, 2014
26 maio, 2014
23 maio, 2014
19 maio, 2014
30 março, 2014
Das coisas que diminuem quando a gente cresce...
Nasci em Jacarepaguá há quase exatos trinta anos. Aquilo tudo lá era roça mas um bom lugar pra se morar. Uma tranquilidade só. Era tanto sossego, que para se fazer qualquer coisa normal ou rotineira, como ir ao supermercado ou ir ao banco por exemplo, tínhamos que ir para um dos sub bairros mais “urbanizados”. Umas das poucas opções era a Taquara. Meu pai entrava voando pela Estrada do Tindiba, som que já se confundia com a voz dele, e lá no fim da rua, eu pequenininha, avistava pela janela do carro a Praça. Era uma espécie de rotatória pra fazer o retorno que às vezes meu pai errava a saída e ficava dando voltas intermináveis nela. A praça era, ou já foi, verde. Majestosa. Tinha umas árvores enormes e brinquedos grandes, daqueles de puro ferro. Tinha escorrega alto, gangorra e balanço pra umas quinze crianças. Eu adorava ficar olhando, uma vez que na minha rua mal tinha casas. Passei os primeiros anos da minha infância circulando por ali. Meu pai teve durante alguns anos uma oficina mecânica na esquina. A madrinha da minha irmã morava na rua debaixo. A minha também. Minha mãe tinha um afilhado que morava num dos primeiros condomínios grandes que surgiram por aquelas bandas. Um tio e uma tia avó que criaram meu pai e seu irmãos eram apegadíssimos a uma casa velha e cheia de histórias que já fazia parte do cenário. Eles gostavam deveras do bairro. Foram tirados na marra antes que a casa caísse sobre eles. Cresci vendo meu irmão mais velho mandando pelos ares os pneus da bicicleta quando ia encher no posto de gasolina lá da praça. Das milhares de vezes que passei por ali, não me recordo de em nenhuma eu ter brincado naquele parquinho. Minha mãe dizia que era brinquedo de criança grande e que eu iria me machucar. Depois cresci o suficiente, mas não deu tempo. Meus pais se separaram quando eu tinha oito anos. Junto da mãe e da irmã, moramos quase no Rio de Janeiro inteiro mas nunca mais voltamos pra Jacarepaguá. Se eu disser que tinha mais de vinte anos que eu não passava por lá não é exagero. Hoje, mais de duas décadas depois, pela força do destino eu por escolhas próprias, me despenco do Catete às cinco da manhã de um domingo chuvoso para poder chegar a tempo no Frei Luiz, que fica na Boiuna. A primeira vez foi a mãe de um amigo quem me levou. No caminho, olhando o “bairro novo” eis a surpresa: da janela do 600, que é bem maior que o carro do meu pai, não sei o que aconteceu nesses anos todos, mas a Praça Jauru diminuíra. Consideravelmente.
Nasci em Jacarepaguá há quase exatos trinta anos. Aquilo tudo lá era roça mas um bom lugar pra se morar. Uma tranquilidade só. Era tanto sossego, que para se fazer qualquer coisa normal ou rotineira, como ir ao supermercado ou ir ao banco por exemplo, tínhamos que ir para um dos sub bairros mais “urbanizados”. Umas das poucas opções era a Taquara. Meu pai entrava voando pela Estrada do Tindiba, som que já se confundia com a voz dele, e lá no fim da rua, eu pequenininha, avistava pela janela do carro a Praça. Era uma espécie de rotatória pra fazer o retorno que às vezes meu pai errava a saída e ficava dando voltas intermináveis nela. A praça era, ou já foi, verde. Majestosa. Tinha umas árvores enormes e brinquedos grandes, daqueles de puro ferro. Tinha escorrega alto, gangorra e balanço pra umas quinze crianças. Eu adorava ficar olhando, uma vez que na minha rua mal tinha casas. Passei os primeiros anos da minha infância circulando por ali. Meu pai teve durante alguns anos uma oficina mecânica na esquina. A madrinha da minha irmã morava na rua debaixo. A minha também. Minha mãe tinha um afilhado que morava num dos primeiros condomínios grandes que surgiram por aquelas bandas. Um tio e uma tia avó que criaram meu pai e seu irmãos eram apegadíssimos a uma casa velha e cheia de histórias que já fazia parte do cenário. Eles gostavam deveras do bairro. Foram tirados na marra antes que a casa caísse sobre eles. Cresci vendo meu irmão mais velho mandando pelos ares os pneus da bicicleta quando ia encher no posto de gasolina lá da praça. Das milhares de vezes que passei por ali, não me recordo de em nenhuma eu ter brincado naquele parquinho. Minha mãe dizia que era brinquedo de criança grande e que eu iria me machucar. Depois cresci o suficiente, mas não deu tempo. Meus pais se separaram quando eu tinha oito anos. Junto da mãe e da irmã, moramos quase no Rio de Janeiro inteiro mas nunca mais voltamos pra Jacarepaguá. Se eu disser que tinha mais de vinte anos que eu não passava por lá não é exagero. Hoje, mais de duas décadas depois, pela força do destino eu por escolhas próprias, me despenco do Catete às cinco da manhã de um domingo chuvoso para poder chegar a tempo no Frei Luiz, que fica na Boiuna. A primeira vez foi a mãe de um amigo quem me levou. No caminho, olhando o “bairro novo” eis a surpresa: da janela do 600, que é bem maior que o carro do meu pai, não sei o que aconteceu nesses anos todos, mas a Praça Jauru diminuíra. Consideravelmente.
17 março, 2014
Tentou pôr a
maior parte de suas coisas
na sacola, antes de
tomar a estrada.
Abarrotou todos os
bolsos da saia
a ponto de não caber mais
coisa alguma.
Dedicou-se a
este esforço por saber,
desde muito antes,
que não
havia bagagem maior
nem mais
pesada do que a que inevitavelmente
deixava para
trás.
E que
precisava deixar-se ir.
Feliz da
vida.
12 fevereiro, 2014
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Menina Acri-doce
- menina acri-doce
- Brazil
- Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.
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