10 dezembro, 2014

num suspiro de pensar
na ressaca desse mar
que criamos
e no abandono em que
me encontro
na ausência que fere
lamento
tanto engano e
a dureza deste ano
que fez ensopar de sal
teu colo com meu pranto
Cresci à força no tempo em
que era hostil e eterna

Vive!

aprendi que estou aqui pra somar
o novo na vida

Vive!

antes que o sonho acabe.

27 novembro, 2014

escrevo porque a caneta é nova
o azul é bonito
o caderno tem cheiro
e não consigo dormir
escrevo porque já é quinta-feira
os versos são ruins
a vida tá difícil
a casa tá velha 
e a cabeça ainda está cheia
de problemas 

cabelos.

Espalhada pela cama
espalhada entre os livros

lê tudo o que pode
destrói diários ganhos
desconhece 
a plenitude do tempo
por temer 
o pesadelo da loucura
e a si mesma.

08 novembro, 2014

Sonhar,
a última qualidade humana
Ainda em tempo

de ser feliz

29 setembro, 2014


Desses relógios derretidos 
tal qual os de Dalí
me trazem a consciência
aguda da dor em mim
Imersa no presente 
sem saber se é 
dia o hoje
os ponteiros fazem as horas 
ser um peso sobre mim
A mente rápida, inquieta,
Já não dorme na hora
que cansa
em prece
peço ao Deus 
do tempo
que atrase meus ponteiros
limpe minha mente
e assim, toda noite
me jogo fora pra dormir


28 agosto, 2014



choveu o dia inteiro
no primeiro encontro
consigo mesma.





Superstição


Tal qual um gozo pleno,
felicidade minha tem prazo:
dura enquanto 
olho treme,
dependendo 
de qual lado
treme de alegria
ou tristeza. 
Vou levar pro resto da vida
na cabeça
e nos dois olhos: 
Deus queira
que mais 
no esquerdo!
o que a mãe 
me ensinou 
um dia
e hoje em dia ~
diz que é besteira,
superstição 
sem motivo 
pra desespero.

26 agosto, 2014

Facebook: 
Vitrine de Egos
Um nó cego 
Que só 
Enxerga
Do umbigo 
A frente.

12 agosto, 2014

De bem me quer 
a mal me quer,
a flor
já não era mais flor
e ninguém mais
a quis.
De seca, 
em páginas de livros 
já não tinha nem 
a si mesma.

05 agosto, 2014

Num coração 
v  a  z  i  o
o que compensa 
é o espaço
eu acho...

04 agosto, 2014

Se não vejo entrega,
enjôo.
Se não vejo reciprocidade,
enjôo.
Se vejo cobranças,
argumento e enjôo.
Se estou constipada,
enjôo.
Se não tenho calma,
enjôo.
Se não houver sinceridade,
enjôo e me fodo.
Todas em um só,
Vômito 
ou morro.
O único mal que eu faço
deita na ponta 
da língua
afiada 
nas cinzas 
de um passado
embrulhado
num lenço de tinta que sai 
dos meus olhos 
 inchados
de tanta 
água e sal.

28 julho, 2014

De um lugar distante no sofá da sala, corta o resto da unha com uma tesoura que lhe deixa moldar melhor a capa do dedo. O cigarro morre aos poucos no cinzeiro. O incenso vai até a alma. Morde a pele do dedo amarelado cheirando acetona e sorri, pensando no começo do fim. Uma peça para imaginar os prantos. Maquiada, com os cílios alongados pelo rímel que usa mesmo quando está em casa, olheiras pálidas de pó de arroz e um sorriso bobo de só quem já foi é capaz de compreender, deita-se. Entre o céu e o chão do apartamento, encontra a si num mundo deslocado que a orbita. Cruza as mãos sobre o corpo, deixando aparecer as unhas pintadas por um vermelho que preserva a vida até o último suspiro, ou que depois descasca pelo uso. 
Poderia forjar a própria morte só pra renascer de novo. 
E de novo. 

25 julho, 2014


É incrível ter alguém 
que se preocupa 
com a gente
mas não te preocupa,
que a minha busca 
é coisa séria
e tudo que há de bom
virá sem pressa.

16 julho, 2014

Cedo ou tarde,
Tudo que sufoca
se perde no ar
Tudo que é inútil
tomba num solo 
duro demais
e as outras coisas

sem solução,
não me interessam.

11 julho, 2014

Quero livros novos, do sebo
Quero livros usados, ou novos

Quero livros.
Não sou do tipo de mulher que acredita em coincidências do tipo que você olha pra uma pessoa e explode. "É amor." Acredito que as pessoas se amam quando entendem que o tempo é seu melhor companheiro. Quando um dia acordam ás 6 horas da manhã pra sair pra trabalhar numa sexta-feira rotineira e ainda assim, depois de toda falta de glamour de procurar meias limpas pela casa, se despedem sorrindo. Quando o presente é a coisa mais segura do mundo e o futuro é uma porta que tem permissão pra ficar fechada. Quando se sabe dos defeitos e luta a favor deles, entendendo que a diferença que há, é a igualdade no querer estar juntos. No entanto, eu acredito também que as pessoas tem maneiras diferentes de ver o mundo.
Eu, continuo não acreditando em coincidências.


03 julho, 2014

Amarrada, 
Com nó na ponta,
Feito linha de pregar botão.

23 junho, 2014

Minha casa, na hora de dormir:
verifica-se as janelas, as luzes apagadas, 
a porta trancada, os aparelhos desligados 
e o celular na cabeceira.
Casa dele, na hora de dormir:
Entra no balanço do mar, abre a janelinha no teto, 
olha o céu sobre nossas cabeças, 
me abraça e pergunta:
"- Será que hoje vai ter estrela?"

11 junho, 2014

É quarta-feira, o pinto pia, a pia pinga, a água vazando, 
o render tá lento, os dias voando, 
os prazos tão curtos, ando pelo mundo, ando sem grana ...
Era pra ser um poema, mas é só mais um dia comum ...

03 junho, 2014

Sabe essas coisas do coração?

centoecinquenta

batidasporminuto

em câ me ra len ta?


Sabe se lá

amor ou paixão.

27 maio, 2014

MENU
Prato do dia:
Arroz, feijão e poesia.

26 maio, 2014

de dias 
de mar
de amar 
[de]vagar
          
          de dias
          de barco
          de tempo 
          arrastado

de dias 
de vento
de balanço
lento

          de noites 
          de luzes
          de dias 
          de cor

de noites 
nubladas
de chuvas 
de amor.
Porque fora de mim
ele é infinito, 
Maior
e por dentro
pequenos, 
mas muitos 
versos.

23 maio, 2014

E se eu te disser
que não é frescura
desequilíbrio
ou  insensatez

e se eu te disser
que é só a vida
amarrada
se esforçando
pra ser 
possível
outra vez
com alguém me ensinando
a ser um dia de cada vez?

19 maio, 2014

Teu beijo


Antes fosse
seco e
vazio
de tudo
e não remetesse
s
 o
   n
    h
     o.

30 março, 2014

Das coisas que diminuem quando a gente cresce...

Nasci em Jacarepaguá há quase exatos trinta anos. Aquilo tudo lá era roça mas um bom lugar pra se morar. Uma tranquilidade só. Era tanto sossego, que para se fazer qualquer coisa normal ou rotineira, como ir ao supermercado ou ir ao banco por exemplo, tínhamos que ir para um dos sub bairros mais “urbanizados”. Umas das poucas opções era a Taquara. Meu pai entrava voando pela Estrada do Tindiba, som que já se confundia com a voz dele, e lá no fim da rua, eu pequenininha, avistava pela janela do carro a Praça. Era uma espécie de rotatória pra fazer o retorno que às vezes meu pai errava a saída e ficava dando voltas intermináveis nela. A praça era, ou já foi, verde. Majestosa. Tinha umas árvores enormes e brinquedos grandes, daqueles de puro ferro. Tinha escorrega alto, gangorra e balanço pra umas quinze crianças. Eu adorava ficar olhando, uma vez que na minha rua mal tinha casas. Passei os primeiros anos da minha infância circulando por ali. Meu pai teve durante alguns anos uma oficina mecânica na esquina. A madrinha da minha irmã morava na rua debaixo. A minha também. Minha mãe tinha um afilhado que morava num dos primeiros condomínios grandes que surgiram por aquelas bandas. Um tio e uma tia avó que criaram meu pai e seu irmãos eram apegadíssimos a uma casa velha e cheia de histórias que já fazia parte do cenário. Eles gostavam deveras do bairro. Foram tirados na marra antes que a casa caísse sobre eles. Cresci vendo meu irmão mais velho mandando pelos ares os pneus da bicicleta quando ia encher no posto de gasolina lá da praça. Das milhares de vezes que passei por ali, não me recordo de em nenhuma eu ter brincado naquele parquinho. Minha mãe dizia que era brinquedo de criança grande e que eu iria me machucar. Depois cresci o suficiente, mas não deu tempo. Meus pais se separaram quando eu tinha oito anos. Junto da mãe e da irmã, moramos quase no Rio de Janeiro inteiro mas nunca mais voltamos pra Jacarepaguá. Se eu disser que tinha mais de vinte anos que eu não passava por lá não é exagero. Hoje, mais de duas décadas depois, pela força do destino eu por escolhas próprias, me despenco do Catete às cinco da manhã de um domingo chuvoso para poder chegar a tempo no Frei Luiz, que fica na Boiuna. A primeira vez foi a mãe de um amigo quem me levou. No caminho, olhando o “bairro novo” eis a surpresa: da janela do 600, que é bem maior que o carro do meu pai, não sei o que aconteceu nesses anos todos, mas a Praça Jauru diminuíra. Consideravelmente.

17 março, 2014

Tentou pôr a maior parte de suas coisas 
na sacola, antes de tomar a estrada.
Abarrotou todos os bolsos da saia 
a ponto de não caber mais
coisa alguma.
Dedicou-se a este esforço por saber, 
desde muito antes,
que não havia bagagem maior
nem mais pesada do que a que inevitavelmente
deixava para trás.
E que precisava deixar-se ir.
Feliz da vida.

12 fevereiro, 2014

Dormiu pouco
levantou cedo
e acordou

de saco cheio 
de uma vida
vazia.

Menina Acri-doce

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Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.

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