28 julho, 2014

De um lugar distante no sofá da sala, corta o resto da unha com uma tesoura que lhe deixa moldar melhor a capa do dedo. O cigarro morre aos poucos no cinzeiro. O incenso vai até a alma. Morde a pele do dedo amarelado cheirando acetona e sorri, pensando no começo do fim. Uma peça para imaginar os prantos. Maquiada, com os cílios alongados pelo rímel que usa mesmo quando está em casa, olheiras pálidas de pó de arroz e um sorriso bobo de só quem já foi é capaz de compreender, deita-se. Entre o céu e o chão do apartamento, encontra a si num mundo deslocado que a orbita. Cruza as mãos sobre o corpo, deixando aparecer as unhas pintadas por um vermelho que preserva a vida até o último suspiro, ou que depois descasca pelo uso. 
Poderia forjar a própria morte só pra renascer de novo. 
E de novo. 

25 julho, 2014


É incrível ter alguém 
que se preocupa 
com a gente
mas não te preocupa,
que a minha busca 
é coisa séria
e tudo que há de bom
virá sem pressa.

16 julho, 2014

Cedo ou tarde,
Tudo que sufoca
se perde no ar
Tudo que é inútil
tomba num solo 
duro demais
e as outras coisas

sem solução,
não me interessam.

11 julho, 2014

Quero livros novos, do sebo
Quero livros usados, ou novos

Quero livros.
Não sou do tipo de mulher que acredita em coincidências do tipo que você olha pra uma pessoa e explode. "É amor." Acredito que as pessoas se amam quando entendem que o tempo é seu melhor companheiro. Quando um dia acordam ás 6 horas da manhã pra sair pra trabalhar numa sexta-feira rotineira e ainda assim, depois de toda falta de glamour de procurar meias limpas pela casa, se despedem sorrindo. Quando o presente é a coisa mais segura do mundo e o futuro é uma porta que tem permissão pra ficar fechada. Quando se sabe dos defeitos e luta a favor deles, entendendo que a diferença que há, é a igualdade no querer estar juntos. No entanto, eu acredito também que as pessoas tem maneiras diferentes de ver o mundo.
Eu, continuo não acreditando em coincidências.


03 julho, 2014

Amarrada, 
Com nó na ponta,
Feito linha de pregar botão.

Menina Acri-doce

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Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.

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