24 maio, 2010

Chuva [d]e pedras

Dia desses, em noite chuvosa,
a raiva passou pelos olhos e pela boca.
Saiu apoiada em palavras duras feito pedra.
E caiu. Sobre nossas cabeças.
24.05.10
Acabei de chegar.
Acabei e sei exatamente o porquê do fim.
Chega. Acabou.
A vida tem se tornado um inferno por causa disso.
Mal chegou e acabou.
Ligeiro assim.
Antes cedo do que tarde.
É muito mais fácil quando se tem poucas fotografias.
E memórias.
Fotográficas.

24.05.10

23 maio, 2010

Hoje a poesia não é minha companheira.
Ela é tudo o que eu respiro sem poder falar.
Não escrevi por nem pra você.
Escrevi por tudo que é certo,
por tudo que foi susurro e grito.
Por tudo que corta o coração da gente.
Nem tudo é desabafo. Nem tudo é erro.
É só tua ausência mesmo.
O vazio é desde sempre.

17.05.10

10 maio, 2010

Assinei um tratado eterno de olhares
sem entender uma só palavra
do que estava nas entrelinhas.
Duelo de caras e bocas.
Brinquei de surdo-mudo.
Como forma de proteção, escolhi fazer
tudo o que penetra ser algo superficial.
Provei o gosto do cinza.
Me perdi num beco qualquer.
Mas não me perdi em ti.
10/05/10

09 maio, 2010

Minha poesia cai no sono.
Dorme, dorme e baba
como criança cansada de tanto brincar.
Eu caindo de sono.
Eu caindo de poetar.
08.05.10
Minha luz do quarto faleceu noite passada.
Ando a bater nos móveis.
Tião caminha sem rumo pelo quarto.
Longas noites de horas sem sono.
28.04.10
Chão de pó, armários vazios.
Os cômodos se misturam com buracos e poeira.
Sol na janela. Lacrimejo com força.
Impossivel pôr a alma em ordem.
É preciso tempo para descansar.
É preciso tempo para as construções.
Minha casa está quebrada e não sei mais chegar
a lugar algum.
Coração lotado.
Casa vazia.
09.05.10
Sou os pés encostados na parede
e a cabeça em repouso no chão.
O tiro aleatório na agenda,
quando tenho o telefone nas mãos.
Sou o silêncio de doze horas
e os pés embaixo do chuveiro.
Sou a lágrima crua que despenca
por puro desperdício.
Sou pão de queijo mordido
que não mata a fome.
Comida pela metade.
Jejum por sacrifício.
Sou o ataque de riso,
o nó na garganta,
fumaça no céu da boca.
Sou a nudez da face
e os braços abertos no colchão.
Sou o compasso da música,
o ritmo em que gemo,
o grito de fora pra dentro,
reconstrução.
09.12.09

Menina Acri-doce

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Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.

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