23 novembro, 2010

Senti como se duas mãos me tampassem os olhos de maneira tão rápida, antes mesmo que eu pudesse perguntar quem era, e de repente, foi só a pressa de sair logo de dentro de casa e ir pra rua, sem saber pra que lugar exatamente. Bater porta sabendo que vai voltar, xingar sabendo que o outro vai perdoar, fazer besteiras que vão incomodar durante um bom tempo.Transar gostoso depois disso tudo. É o que se espera, mas nem sempre o corpo acompanha. Tive um dejavu covarde. Uma cumplicidade assustadora. Sentir medo é meu dever e minha arte. O resto é só dor de cabeça de noite mal dormida.



23.11.2010

20 outubro, 2010

To escolhendo o caminho mais difícil a ser seguido. Ando pensando muito no que machuca e puxa lágrima do canto do olho. Ando acordando com a pessoa errada. Não tá fácil dormir, nem me agarrar a essas palavras como forma de desabafo. Publicar vai ser pior ainda, mas ainda sobra um pouquinho de coragem. Sinto que estou voltando a pagar um preço muito alto por atropelar a razão e me entregar à melancolia. To sentindo medo de perder pessoas que nem sei se de fato vão me fazer falta. Não tá fácil saber que o amor nunca foi a caminho mais fácil e que sentimento é traiçoeiro. Saber que nem tudo é calor. Saber que sou frágil. Hoje não to pra rima. Não quero fazer planos. Ficar quebrando a cabeça pra encontrar uma saída é estupidez. To me sentindo exposta, vulnerável e pelo avesso.

20.11.10

30 setembro, 2010

Releio livros antigos,
faço chuva de papel picado.
Minha sombra dança no branco da parede
e eu, continuo aqui parada,
pensando...
Já nem me lembro mais quando fiz amor por alguém.
27.09.10

21 junho, 2010

Faz de conta não funciona por aqui.
Tem batalha diária
pra conseguir paz em dias repetidos
e repetidos, e repetidos.
Dia morto sem intervalo.
Gritar socorro só serve
pra arranhar a garganta.

20 junho, 2010

Gosto de crescer sobre o outro
e respirar cheiro
de gente
que se suja por cavardia.

gosto do peso de acreditar ser
maior do que
a fragilidade
alheia.

Mas acabo sempre
por me arrepender depois.

Acho que agora só vou gostar de Carlton e Coca zero.
O amor está cego, forte e violento.
Colérico e preso numa jaula
no meio da multidão.
Atração de circo pra todo mundo ver.
E todos querem ver.
Tem corpo de puta e hálito desbotado.
Dá vontade de ficar olhando, de sentir o cheiro.
Dá vontade de comer pra saber que gosto tem.
O amor é banquete barato pra gente morta de fome.
20.06.10

24 maio, 2010

Chuva [d]e pedras

Dia desses, em noite chuvosa,
a raiva passou pelos olhos e pela boca.
Saiu apoiada em palavras duras feito pedra.
E caiu. Sobre nossas cabeças.
24.05.10
Acabei de chegar.
Acabei e sei exatamente o porquê do fim.
Chega. Acabou.
A vida tem se tornado um inferno por causa disso.
Mal chegou e acabou.
Ligeiro assim.
Antes cedo do que tarde.
É muito mais fácil quando se tem poucas fotografias.
E memórias.
Fotográficas.

24.05.10

23 maio, 2010

Hoje a poesia não é minha companheira.
Ela é tudo o que eu respiro sem poder falar.
Não escrevi por nem pra você.
Escrevi por tudo que é certo,
por tudo que foi susurro e grito.
Por tudo que corta o coração da gente.
Nem tudo é desabafo. Nem tudo é erro.
É só tua ausência mesmo.
O vazio é desde sempre.

17.05.10

10 maio, 2010

Assinei um tratado eterno de olhares
sem entender uma só palavra
do que estava nas entrelinhas.
Duelo de caras e bocas.
Brinquei de surdo-mudo.
Como forma de proteção, escolhi fazer
tudo o que penetra ser algo superficial.
Provei o gosto do cinza.
Me perdi num beco qualquer.
Mas não me perdi em ti.
10/05/10

09 maio, 2010

Minha poesia cai no sono.
Dorme, dorme e baba
como criança cansada de tanto brincar.
Eu caindo de sono.
Eu caindo de poetar.
08.05.10
Minha luz do quarto faleceu noite passada.
Ando a bater nos móveis.
Tião caminha sem rumo pelo quarto.
Longas noites de horas sem sono.
28.04.10
Chão de pó, armários vazios.
Os cômodos se misturam com buracos e poeira.
Sol na janela. Lacrimejo com força.
Impossivel pôr a alma em ordem.
É preciso tempo para descansar.
É preciso tempo para as construções.
Minha casa está quebrada e não sei mais chegar
a lugar algum.
Coração lotado.
Casa vazia.
09.05.10
Sou os pés encostados na parede
e a cabeça em repouso no chão.
O tiro aleatório na agenda,
quando tenho o telefone nas mãos.
Sou o silêncio de doze horas
e os pés embaixo do chuveiro.
Sou a lágrima crua que despenca
por puro desperdício.
Sou pão de queijo mordido
que não mata a fome.
Comida pela metade.
Jejum por sacrifício.
Sou o ataque de riso,
o nó na garganta,
fumaça no céu da boca.
Sou a nudez da face
e os braços abertos no colchão.
Sou o compasso da música,
o ritmo em que gemo,
o grito de fora pra dentro,
reconstrução.
09.12.09

27 fevereiro, 2010

Quero poesia bagunçando meus cabelos.
A acidez de poesia egoista e indigesta.
Quero poesia.
No ácido e no básico.

Menina Acri-doce

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Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.

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