24 janeiro, 2011

Depois de passar a maior parte do tempo dentro de casa, só hoje me dei conta do que me obrigaram a viver nos últimos sete dias. Sem território a céu aberto sinto falta da rua noite e dia. A casa vai ficando cada vez menor como se os cômodos perdessem a divisão lógica. Me perdia nela e dentro de mim. Dias sem data, tudo igual todo dia. Senti falta de gente e de luz.
Hoje provei a existência do sol sem óculos escuros e a tontura que isso provocou. A cegueira da luz é inevitável.
Sol na cara de quem não quer ser visto.
É gente vendo seu sangue.
É essa a sensação que o vermelho dá.
Sangue nos olhos, rancor e veneno  são muito mais complicados do que a gente imagina. Continuam caminhando no corpo e na mente até quando a gente não quer. Caminha, caminha, caminha e  tudo continua igual.
Minha vida voltando ao normal está a cada passo, um após o outro. Precisei andar dois bairros inteiros pra chegar a essa conclusão. Só te ensinam a caminhar quando se é criança, depois que a gente cresce  te ensinam a fingir que está tudo bem.
Não coloquei os óculos escuros porque o sol já estava indo embora e não faria o menor sentido. Não os coloquei porque não quis. Não usar óculos, maquiagem ou qualquer merda de máscara dá coragem, uma sensação de liberdade.
Caminhei leve a tarde inteira.

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Menina Acri-doce

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Sempre fui Luana, desde de pequena. Mantenho-me escritora e esquisita. Gostaria de ser prática, dedicar-me à leveza. Sou densa demais pra isso. Fez Deus muito bem em criar a habilidade humana da escrita, pois a solidão não é agradável tampouco suportável. Derreto-me em palavras.

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